6 de outubro de 2025 - Por Fernando Silveira, Presidente ARP e Sócio-fundador da Integrada

Se errar, errou.

Mas se não errar, show!

Nos últimos anos, o mundo dos negócios passou a repetir como mantra a ideia de que “errar rápido é essencial para evoluir”. A frase ganhou status de verdade absoluta, ocupando apresentações, workshops e pitches de startups como se fosse uma regra incontestável. Mas será que faz sentido transformar o erro em virtude?

Errar não pode ser sinônimo de vitória. Erro é erro. Ele custa tempo, dinheiro, credibilidade e, muitas vezes, oportunidades que não voltam. A velocidade, de fato, é um diferencial competitivo — mas deve estar a serviço do acerto. Avançar rápido não significa bater a cabeça repetidas vezes no mesmo muro; significa tomar decisões ágeis e inteligentes, reduzindo ao máximo a margem de falha.

Quando se naturaliza o erro como etapa obrigatória, corre-se o risco de acomodar profissionais e organizações em uma zona de conforto perigosa: a de justificar a falta de preparo, de análise ou de estratégia sob o discurso de que “faz parte do processo”. É o mesmo movimento que transformou o “tudo bem” em resposta para equívocos, como se bastasse reconhecer a falha para que ela deixasse de ser um problema.

A evolução dos negócios não depende de errar, mas sim em aprender rápido, planejar melhor e agir com consistência. O que impulsiona o crescimento não é a falha em si, mas a capacidade de antecipar riscos, corrigir desvios ainda pequenos e criar soluções antes que o erro aconteça.

A verdadeira vantagem competitiva está em unir agilidade com precisão. O futuro pertence não aos que erram rápido, mas aos que acertam com velocidade, transformando disciplina, análise e estratégia em combustível para inovação e crescimento sustentável.

Então, claro, podemos aceitar que o erro exista, mas achar que é obrigatório o sucesso passa por falhas, creio que seja um equívoco geracional complexo. Porque, no fim, os negócios que prosperam são aqueles que sabem que o sucesso não está em errar melhor, mas definitivamente em acertar mais e bem mais rápido. Aí sim, tudo ficará bem.

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