28 de janeiro de 2026 - Por Anna Quadros, Gerente de Comunicação e Marketing da Central Sicredi Sul/Sudeste
O que esperar de 2026?
Entrar nesse novo ano é aceitar que o marketing deixou, definitivamente, de ser uma disciplina principalmente de “visibilidade” para se tornar uma disciplina de “responsabilidade”.
A pergunta já não é “como aparecer mais?”, mas “como fazer sentido para pessoas sobrecarregadas de estímulos, ansiosas por pertencimento e desconfiadas de qualquer promessa vazia?”.
Em um cenário de múltiplas crises e de hiperconectividade, o marketing que não assume um papel estratégico na construção de confiança, reputação e impacto social está condenado à irrelevância.
O primeiro grande desafio de 2026 é deslocar o foco só de uma campanha para o ecossistema: marcas não competem apenas por atenção, mas por legitimidade. Isso implica integrar dados, presença física, experiências digitais e atuação territorial em narrativas consistentes, em que cada contato com a marca reforça um mesmo compromisso central. No caso do Sicredi, essa coerência aparece na articulação entre estratégias nacionais e iniciativas locais, em que o marketing funciona como orquestrador de uma mensagem única, mas plural nas formas de se materializar em cada comunidade.
Um segundo desafio é reconhecer o protagonismo das comunidades, e não mais das marcas apenas, na definição de valor. O cooperativismo antecipa essa lógica ao colocar pessoas no centro, transformar associados em donos do negócio e fazer da comunicação um espaço de escuta ativa antes de ser um canal de emissão. As estratégias estaduais e locais precisam caminhar conectadas à nacional, indicando justamente esse movimento de coautoria: a marca se fortalece quando a comunidade se enxerga, se apropria e ressignifica o discurso.
Em 2026, marketing relevante será aquele capaz de converter patrocínios em posicionamento, métricas em responsabilidade e por aí vai?
Não basta “estar” em eventos, campanhas ou projetos: é preciso demonstrar, com evidências, que essas iniciativas geram desenvolvimento econômico, fortalecem vínculos e ampliam oportunidades reais nas regiões em que a marca atua. Nesse sentido, o histórico recente do Sicredi em premiações de marketing não é apenas um troféu para exibir, mas um indicador de que há um modelo de comunicação que conecta propósito, resultado e transformação concreta do território.
Agora, se a inteligência artificial e as plataformas digitais tendem a automatizar processos e padronizar formatos, o papel estratégico do marketing passa a ser o de garantir que a originalidade e a sensibilidade cultural local não sejam terceirizadas. No ambiente cooperativo, isso significa usar tecnologia para ampliar alcance e eficiência, sem perder o vínculo humano que sustenta a confiança e faz do “ter com quem contar” mais do que um slogan, mas uma experiência cotidiana.
2026 exige coragem para tensionar o próprio paradigma da área: deixar de medir apenas o que vende e passar a medir, também, o que transforma. A pergunta que se impõe, para quem conduz comunicação e marketing em organizações como o Sicredi, não é só “quanto crescemos?”, mas “que tipo de crescimento estamos promovendo?”