“São os jovens que apresentam as novidades para as demais gerações”, diz gerente de Pesquisa e Comportamento da Rede Globo
Dezoito por cento dos jovens brasileiros são chefes de família e garantem, todos os dias, o sustento da casa em que moram. A maioria vive em cidades pequenas, do interior. Um em cada cinco não estuda e nem trabalha, sendo que um grande número, especialmente no Sul do Brasil, mora com a mãe. Mais de 70% dos jovens, aliás, considera muito boa ou excelente a relação com a família, sendo que 42% não gosta nem de pensar em ficar longe dos pais, irmãos, tios, sobrinhos. A esmagadora maioria – 93% – nunca saiu do país. E os que saíram geralmente moram perto das fronteiras.
Os dados foram apresentados, na noite de ontem, pela gerente de Pesquisa e Comportamento da Rede Globo, Flávia Toledo, na palestra “Conteúdo essencial para conhecer o jovem brasileiro”. Voltado para convidados e sócios da ARP, o evento realizado na sede da entidade reuniu profissionais interessados em saber mais sobre o perfil da juventude do país. Afinal, como explicou Flávia na abertura, é esse o público que indica as principais tendências de mercado: “São eles que contestam, indagam e buscam o novo. São eles que primeiro absorvem as novidades e as apresentam para as demais gerações”. Flávia também destacou que os jovens devem ser estudados por serem fomentadores de cultura – a Globo, por exemplo, entende esse público como “sensíveis sensores que se posicionam frente a questões de diferentes contextos”.
Outro dado apresentado se refere à questão demográfica – fundamental para entender o contexto atual. Existem, hoje, no país, 51 milhões de jovens – há 30 anos eram 34 milhões e, em 2050, serão 34 milhões. É por isso que os demógrafos chamam este momento que vivemos hoje no Brasil de “platô demográfico”. Ou seja: estamos em pleno ápice da juventude. E, por causa das transformações tecnológicas provocadas pela internet, estamos vivenciando, também, uma mudança radical nas relações interpessoais. “Antigamente, as relações eram verticais: o mais velho não aprendia nada com a criança. Depois da internet, isso mudou. A relação se tornou horizontal”, destacou Flávia, enfatizando que essa mudança trouxe impactos diretos no mercado de trabalho.