Quem cuida dos seus prédios emblemáticos entende a própria história
As ruas e prédios de uma cidade guardam sua origem e narram sua história. A identificação de características arquitetônicas e época podem ser reconhecidos de acordo com os arabescos, formato dos telhados e matéria-prima utilizadas nas edificações. Em 17 de agosto, se comemora o Dia Nacional do Patrimônio Histórico, data que relembra os esforços na preservação dos bens culturais do País. A IMED, por meio de seu curso de Arquitetura e Urbanismo também se dedica ao tema.
Desde o ano de 1954, existem órgãos responsáveis pela defesa do patrimônio arquitetônico e cultural no Estado do Rio Grande do Sul. Hoje, o IPHAE (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado) é responsável pela fiscalização e, em 2017, conta com 153 bens tombados. A professora de Arquitetura e Urbanismo da IMED Liliany Schramm da Silva Gattermann, afirma que, apesar do número expressivo, ainda existem centenas de edificações de grande valor arquitetônico e/ou histórico que correm o risco de serem demolidas ou descaracterizadas – sem levar em consideração aquelas que já não existem mais. A docente aponta três fatores que levam a esta desvalorização dos bens históricos: em primeiro lugar, a escassez de recursos financeiros destinados a políticas de proteção; em segundo, a ausência de uma educação patrimonial eficaz, gerando uma falta de comprometimento da maioria da população no que se refere à preservação de seu próprio patrimônio; e, por último, a especulação imobiliária, pelo fato de, muitas vezes, estarem em uma boa localização, gerando maior interesse por parte dos corretores e proprietários.
Liliany cita dois exemplos de locais que se perderam no tempo. A Casa da Praça 20 de Setembro, em São Leopoldo, sofreu um desabamento parcial em 2011, fato que alertou a população para medidas de proteção. Devido à morosidade do processo e a degradação cada vez mais acelerada do imóvel, houve a decisão pela sua demolição. Outro bem de considerável relevância, no aspecto histórico, foi a Casa Schell em Passo Fundo. A edificação havia sido tombada provisoriamente, mas, devido à falta de documentação comprovatória do primeiro proprietário (Adam Johannes Schell – primeiro imigrante alemão residente na cidade) e à descaracterização dos atributos originais da mesma, a lei foi revogada. “Segundo a prefeitura do município, se a intervenção tivesse ocorrido antes, se evitaria a descaracterização e consequente perda do bem”, afirma a professora.
“Para aqueles que, cegos pela cobiça, são contra a preservação do patrimônio histórico e artístico, os defensores da memória edificada são considerados retrógrados e inimigos do progresso”, aponta Liliany. Contudo, o patrimônio histórico e o cuidado por preservá-lo, vão além da intenção da preservação de bens materiais. Consiste na conservação dos elementos que caracterizam a identidade de cada povo e ajudam a compreender a realidade em que estão inseridos.
Arquiteta e professora Liliany Schramm da Silva Gattermann
Possui graduação em Arquitetura e Urbanismo pela UFSM (2000), especialização em Teoria, História e Crítica da Arquitetura pelo convênio entre UFRGS e UNIVATES (2003) e mestrado em Arquitetura pelo Programa de Pesquisa e Pós-Graduação em Arquitetura (PROPAR) da UFRGS (2005). Atualmente, é arquiteta autônoma e trabalha como professora universitária na IMED, em Passo Fundo (RS). Tem experiência na área de Arquitetura e Urbanismo, com ênfase em arquitetura sacra, atuando principalmente nos seguintes temas: história, teoria e crítica da arquitetura e do urbanismo, arquitetura e urbanismo modernos, patrimônio.