5 de agosto de 2016

Moisés Mendes alimenta o ímpeto de ser repórter na ESPM-Sul

Credito Iago Vilela5A professora Adriana Kurtz deu as boas-vindas e apresentou  o jornalista Moisés Mendes aos alunos da ESPM-Sul como uma referência em elegância. Aos 63 anos – dos quais 27 como repórter no jornal Zero Hora, como fez questão de se identificar, trajetória encerrada em 2016 como articulista – , Moisés é elegante, sim, sereno, transparente e apaixonante ao falar de jornalismo. A palestra “O Jornalismo e o papel do articulista político no Brasil pós-Lava Jato” lotou o Estúdio de Telejornalismo da ESPM-Sul na manhã desta sexta-feira (05/08) a ponto de algumas pessoas terem assistido em pé.

O evento foi uma iniciativa do Núcleo de Estudos em Jornalismo (NEJOR/ESPM-Sul), coordenado por Adriana, que também é jornalista. “Falta luz e racionalidade para iluminarem estes tempos sombrios, por isso trouxemos o Moisés”, esclareceu ela. E o principal recado do convidado exatamente para buscar a iluminação é: “Não entrem nessa de que produção de conteúdo se faz em casa, tem que ir pra rua, as coisas estão esperando o repórter na rua.”

Moisés parte do pressuposto de que o papel do jornalista – chamem ou não de romântico – é inquietar, provocar e ajudar as pessoas. “Jornalista não pode ser reacionário, caso contrário, não prospera. A premissa e o desafio são tentar ajudar a esclarecer grandes questões. Eu, por exemplo, tenho me dedicado ao racismo, homofobia, cotas raciais, xenofobia. Grandes jornalistas são  transgressores, desafiaram o contexto político. Mas isso não quer dizer que tenham  de ser esquerda.  Eu não sou lulista nem dilmista”, garante.

E, para ele, não existe neutralidade. Ok, o jornalista pode operar com um pouco de distanciamento, no entanto o repórter sempre tem presença notada, não é neutro.  E, por falar em reportagem, Moisés aponta o juiz Sérgio Moro como o repórter da Operação Lava-Jato. “Os jornalistas brasileiros  deram contribuição escassa à Lava-jato, na verdade, fracassaram”, defende o  agora blogueiro e articulista no Jornal Extra Classe online.  “Estou me sentindo como um guri no Extra ainda que eu seja um dinossauro. Talvez até por inércia, vou resistindo”, disse e suscitou sorrisos cúmplices da plateia.

Um outro desafio está em imaginar a produção jornalística do futuro. Moisés a visualiza em pequenos grupos e não mais em grandes redações. O próprio Extra Classe foi citado como exemplo dessa vertente contemporânea. Até porque as redações se tornaram muito caras. Um jornal que, hipoteticamente, contabilizava 150 mil exemplares por dia e depois cai para 80 mil não se paga. “E, para fazer este novo jornalismo, vocês precisarão saber escrever. Os profissionais mais procurados são aqueles que fizerem  diferente, que possam ser  autores. É o que vai diferenciar nas mídias.”

Sobre vídeo e texto: “É imprescindível saber combiná-los e equilibrá-los”.

Sobre censura:  “Não acho que exista nas redações, mas, claro, sempre alguém exerce um controle e, ao mesmo tempo, há limites naturais. A gente não diz sempre o que pensa. Seja em uma redação, nas empresas ou na famílias, há controles que podem caracterizar censura.”

Sobre a vida: “Tem uma hora que a gente sai do jornal, de casamento, de amizades…”

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