20 de fevereiro de 2026 - Por Ricardo Sastre, Fundador da Mudrá design e Embase centro de pesquisa em embalagem
A vaca que ri com as galinhas felizes
Estamos vivendo o momento da felicidade e da proteína, tudo se manifesta no bem viver, como se a vida fosse um somatório incessante de prazeres e momentos memoráveis. Possivelmente os álbuns de fotos nas redes sociais possam refletir este estilo de vida, porém, o mundo real com seus altos e baixos, nos relembra constantemente que nem tudo são flores.
Desde o tempo da família margarina, para quem esqueceu ou não viveu essa época, eram as famosas propagandas de margarina. Uma câmera fechada em uma mesa de café da manhã com a família toda reunida para desfrutar este momento importante. A mãe protagonista, muito bem-vestida, maquiada e com um sorriso no rosto contagiante as 7 horas da manhã, refletia este mesmo momento de felicidade das atuais redes sociais, mas muito longe da realidade do dia a dia e do valor nutritivo do produto. A cena era tão perfeita que acabou virando deboche no meio publicitário.
Voltando ao título, o que podemos esperar das galinhas livres e felizes e os seus ovos maravilhosos ou “maravilhovos”? Essas galinhas vivem em ambientes que permitem comportamentos naturais, como ciscar, tomar banho de sol e de areia e geralmente, ovos de galinhas soltas possuem mais ômega-3 e vitaminas, além de menos colesterol ruim (LDL). A gema costuma ter um amarelo mais vivo devido à alimentação mais natural. Para liberar seu acesso no mundo atual, o ovo é uma excelente fonte de proteína.
Já que falamos das propagandas de margarina, sugiro rebobinar a fita e refletir sobre as condições primárias de uma galinha. Para vencer a produção de ovos e frango, foi necessário fazer um pequeno desvio no habitat natural dessas aves, incluindo confinamentos e hormônios de crescimento para que a capacidade produtiva desse conta aos anseios de uma sociedade em crescimento populacional. Ovos e frango comparados a outros animais costumam ser mais acessíveis financeiramente.
Enquanto a galinha vive confinada, a vaca que ri continua sorrindo, pois, sua proteína é valoriza a cada dia, ao ponto de virar símbolo de campanha política no Brasil. Uma boa parte da população continua sonhando com sua amada picanha.
As galinhas felizes ficaram tristes, mas algumas espécies privilegiadas receberam o benefício de viverem como Adão e Eva, livre, leve e solta pelo mundo das minhocas, do sol e da areia. Esse não deveria ser o seu habitat natural?
Muitos pensadores da humanidade atribuem um movimento cíclico do universo, desde seus primórdios. A natureza se regenera, os alimentos naturais se sobrepõem aos alimentos ultra processados, empresas faturam trazendo experiências essenciais do ser humano como estar em contato com a natureza, andar descalço, se desconectar por algumas horas e outras formas de lembrar a humanidade sobre a sua missão neste planeta, isso é familiar ao caso das galinhas felizes?
Se este mundo for um laboratório de aprendizado sobre nosso verdadeiro propósito no universo, é natural o movimento oscilante entre momentos bons e desafiadores, são eles que nos ensinam como encará-los da melhor forma possível e seguir na jornada de aprendizado.
No caso da publicidade, cuja missão primária é vender, nesse novo cenário de inteligência artificial, nunca foi tão fértil o campo da felicidade e do simples como uma excelente ferramenta para atrair consumidores.
Por favor, meus ovos eu quero com as gemas bem amarelas e o leite com bastante nata para aumentar o nível de proteína em meu corpo!