13 de janeiro de 2026 - Por Ricardo Marques Sastre, publicitário, especialista em expressão gráfica e gestão empresarial;
Chegou a vez do projeto estrutural de embalagens
Antes de tudo é preciso fazer a seguinte pergunta:
Afinal, quem é o responsável por desenvolver projetos estruturais de embalagens?
Em nossa configuração atual de mercado, as soluções de projetos estruturais podem vir da própria indústria de embalagens, responsável pelo desenvolvimento das matrizes e da produção dos itens que compõem o sistema. Devido aos requisitos técnicos necessários e acesso para a produção de um novo formato, este segmento vira protagonista.
As empresas de design podem desenvolver projetos estruturais, apesar de sua maioria serem especializadas em design gráfico com foco na venda de produtos e na comunicação com os consumidores. São poucas empresas que atuam com a solução completa para o desenvolvimento de uma embalagem. Neste caso, uma barreira considerável é gerar valor de projeto estrutural para o seu cliente que está acostumado a demandar aos seus fornecedores, que frequentemente fideliza os parceiros a partir desses desenvolvimentos, não gerando valor monetário aparente.
Outra fonte de desenvolvimento de projetos estruturais são os próprios donos de marcas. Algumas empresas de grande porte possuem áreas de projeto de embalagens e produtos, com centenas de pessoas dedicadas exclusivamente para a marca.
Independente de quem irá projetar, é importante estar atento aos requisitos e stakeholders envolvidos em todo o ciclo de vida da embalagem e do produto. Soluções oriundas de etapas específicas como a fabricação de embalagens por exemplo, pode trazer uma padronização, devido a limitação de portfólio ou aproveitamento de matrizes. Em muitos casos esta solução não irá considerar um olhar sistêmico, necessário para a redução de impacto ambiental.
O que fica evidente é que os problemas de embalagem refletem diretamente em seu fim de vida. A lista de itens difíceis de reciclar que acabam virando rejeito e indo para aterros sanitários é grande, precisamos estar atentos a estas evidências. Afinal, quem está aparecendo são as marcas dos produtos, prejudicando sua reputação no mercado.
Países como a Coréia do Sul estão querendo proibir o uso de rótulos em garrafas de água mineral, dispondo apenas um Qrcode na tampa para a comunicação com o consumidor. Possivelmente as cores das embalagens serão padronizadas para facilitar a reciclagem. Neste caso, o projeto estrutural torna-se protagonista para a diferenciação do produto na gôndola. A Coca Cola sairá na frente pois a sua embalagem é icônica e se diferenciou a partir do projeto estrutural da garrafa desde os primórdios. Mesmo sem rótulo, ela é reconhecida.
Os projetos devem chamar atenção do consumidor e atender aos requisitos dos envolvidos no ciclo de vida da embalagem, principalmente em sua interação com o produto, com o usuário e com o meio ambiente. Embalagens ideais são aquelas que cumprem a sua função causando o menor impacto ambiental possível. Reavaliar projetos existentes e torná-los mais enxutos é uma oportunidade para redução de impacto ambiental e consequentemente redução de custos.
Por fim, é importante refletir sobre a formação de profissionais que possam atuar no desenvolvimento de embalagens com um olhar sistêmico para que se converta em melhores soluções de projetos estruturais. O mercado está a cada dia mais complexo e os consumidores mais atentos. Replicar projetos existentes não é garantia de soluções completas, em alguns casos pode contribuir para o aumento da lista das marcas e itens rejeitados na reciclagem.
Os projetos estruturais são protagonistas na redução de impacto ambiental de embalagens, fique atento!