15 de março de 2021 - Por Germano Bedin

Qual a sua voz?

Por Denise Polidori – Diretora de Cultura de Marca da ARP + Diretora Geral da GIO – Agência de Cultura de Marca

Em mim, sou muitas. Carrego muitas histórias. Muitas mulheres e suas lutas, que me inspiraram e guiam até hoje. O 8 de março é sobre todas elas.

Nasci em uma família de figuras femininas tão fortes quanto complementares. De um lado, materno, minha vó foi protagonista da própria sorte. Aprendeu cedo que o seu rumo dependeria da capacidade de ser resiliente. Corajosa, rompeu barreiras pelo afeto. Ainda na década de 50 – quando a adoção era tabu – duplicou o número de filhos e tornou a nossa família um retrato de pluralidade e acolhida. Costureira, enfrentou a falta de oportunidades com uma vida de trabalho árduo.

Do lado paterno, outra desbravadora: uma das primeiras auditoras da Receita Federal no Brasil. Sentiu na pele a dor de fazer história em um território prioritariamente masculino. As cicatrizes desse enfrentamento são tão visíveis quanto as marcas do tempo que desenham o rosto de minha vó. Imagine uma mulher jovem, nos anos 60, destinada a uma jornada solitária de fiscalização em um dos bairros mais hostis de São Paulo. Promoção ou punição? A sua resposta dependerá se você nasceu homem. Ou não.

Nessa trajetória, minha mãe tem o lugar de mulher vigorosa e exemplo que sempre segui. Educadora como poucas. Me permitiu crescer livre e feliz. Com o privilégio de ter voz. De ter vez. Privilégio esse conquistado pelas mulheres que vieram antes de mim.

Escolhi ser jornalista por uma insistente vontade de expressão. Me desenvolvi como profissional em uma empresa fundada por uma mulher, e seguimos essa história com muito orgulho. Construímos pontes e derrubamos preconceitos com trabalho, pois sabemos onde mora a potência de um negócio inspirado pela força feminina.

Estamos em 2021 e ainda há muito a fazer. Somo a minha voz à da ARP e de todas as mulheres do mundo. Oito de março é para ampliar a consciência do que foi desbravado até aqui, mas, principalmente, sobre tudo que ainda precisa expandir. É dia de se comprometer para que todas as mulheres tenham espaço nas empresas, nos projetos, nas rodas de conversa. Respeitar, elevar, entregar poder e promover oportunidades para um caminho igualitário para todas as pessoas.

A construção é coletiva. Reverbe! Juntas, nossas vozes ganham mais força.

 

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